29.4.05

Sobre o ressentimento

Penso que o ressentimento é o que mais afecta as relações entre as pessoas e entre as instituições e os Estados.
O ressentimento radica na dificuldade que todos temos em perdoar.E perdoar (dar de novo) não significa que não fica ferida depois do conflito, significa que vamos deixando que essa ferida cicatrize, que somos capazes de voltar a confiar.
O ressentimento manifesta-se na amargura de gestos e palavras, no pessimismo, numa ironia disfarçada de razão quando recordamos episódios antigos.
A nível das instituições e dos Estados, o ressentimento manifesta-se na incapacidade do diálogo, nas mágoas transformadas em palavras definitivas que ferem como espadas afiadas e destroem como bombas.
Há ainda a institucionalização do ressentimento, a vingança sobre a forma de justiça: chama-se pena de morte.
Por tudo isto, a frase de Cristo na cruz: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.”, tem um alcance que está muito para lá das fronteiras abertas do Cristianismo, ela é uma proposta transformadora de uma cultura da reconciliação e da não violência.
P.S. – volto depois de Domingo ou Segunda. Bom fim-de-semana…

28.4.05

Nota Editorial - mudança de nome - parte II (actualizado)

Já respirei. Já não sou Haja o que Houver
O novo nome é talvez mais ingénuo e um pouco mais ambíguo.. e, sem dúvida, menos poético.
Mas a ideia é a mesma do começo...
Mas o novo nome é também mais comprometedor, agora sinto-me mais obrigado à esperança.
Quero que o optimismo de que falo, nunca seja o que fecha os olhos à injustiça ou assobia para o ar como se o mundo não existisse...
Como já prometi, voltarei a falar sobre isto.

O meu ex-homónimo pode ser encontrado aqui.

Nota Editorial - mudança de nome

Por causa de um comentário ao post anterior, acabo de saber que existe outro blog com o mesmo nome e bem mais antigo que este.
Na imensidão da blogosfera é impossível ser-se original... de qualquer modo estou a procura de um novo nome para o mesmo objectivo.
Deixem-me só ter algum tempo para respirar e imaginar...

Sobre o Perdão

Compreensão

Um ser amado que desilude.
Escrevi-lhe.
É impossível que não me responda
aquilo que eu disse a mim mesma
em seu nome.

Os homens devem-nos
o que imaginamos que nos vão dar.
Pagar-lhes esta dívida.

Aceitar que sejam diferentes
das criaturas da nossa imaginação,
é imitar a renúncia de Deu
s.

Também eu sou diferente
daquilo que imagino ser.
Saber isto,
é perdoar.

Simone Weil

Xanana

Timor foi a grande causa da minha adolescência.
14 anos depois de Santa Cruz... há um homem que passou de combatente a ponte entre os homens. Xanana aprendeu a viver para além do ressentimento e vive a reconciliação nas palavras e nos gestos.
Certamente que as feridas continuam lá, mas a força do perdão tem sido capaz de curá-las.
Xanana é um homem em busca da Paz...
Nestes dias, dou por mim a agradecer o seu exemplo.

27.4.05

Para os que gostam de debater e questionar

Aceitem esta sugestão...

Fé e Política
“A Religião na sociedade Democrática”
Auditório do Colégio São João de Brito
(estrada da torre, 28 – Lumiar)
30 de Abril de 2005
Organização: Revista Brotéria

Informações: 21 396 16 60

Programa
Manhã
9.30 – Acolhimento
10.00 – Apresentação e enquadramento “ A Religião na sociedade Democrática” - Hermínio Rico, sj – Director da Revista Brotéria
10.45 – Intervalo
11.00 - Painel
“Há Lugar para a Religião na vida pública?”
Francisco Sarsfield Cabral/Vital Moreira
Moderador: Pedro Machete
13.00 – Almoço
Tarde
15.00 – Painel
“Ser Católico na Vida Pública”
Maria José Nogueira Pinto/Maria do Rosário Carneiro/Rui Machete
Moderadora: Joana Vasconcelos
16.30 – Intervalo
17.00 – Relator Final
“Sínteses e Desafios” – Joaquim Goes
17.30 – Fim Trabalhos18.00 – Apresentação do Livro: “P. António de Andrade, sj – o Descobrimento do Tibete”

26.4.05

Peregrino do Essencial?

Um dia gostava de ser “Peregrino do Essencial”.
Despojar-me de tudo o que me pesa e fazer caminho de abraços abertos, ter a estrada como casa e ir aprendendo que a dor não destrói a alegria.
Gostava de ser conduzido por um cajado de silêncio e de acolher sem palavras aqueles que me agradecem o bem que me fazem. Gostava de me aproximar dos que partilham a estrada comigo, sem medo me molhar nas suas lágrimas.
Gostava, de entrar por fim no Santuário e encontrar o rosto da voz que, desde sempre, me chama.

P.S.1 Sempre que faço uma peregrinação, caminhando ou apoiando os que caminham, sinto-me chamado a perceber que os passos que dou não são um gesto de heroísmo, uma prova que tenha que superar, mas apenas uma tímida tentativa de crescer na Confiança.
P.S.2 Se quiserem podemos iniciar uma "conversa" sobre o sentido das Peregrinações a Pé. Pode ser interessante.... fica o desafio!

Obrigado

Gostava de agradecer a todos os que já se referiram a este Blog e a todos os que aqui já deixaram os seus comentários.
Desculpem não o fazer pessoalmente.
Aproveito para dizer que voltarei ainda esta semana ao tema do optimismo para tomar parte na conversa iniciada aqui e que continou ali . Só não o faço agora porque o tema me exige algum tempo.
Mas hoje ainda há mais para dizer.

21.4.05

Com os pés na terra e o coração em Deus

... nos próximos dias estarei a caminho de Fátima.
"Com os pés na terra e o coração em Deus."

Espero voltar terça-feira. Até lá.

20.4.05

Relativismos

Julgo que o pior dos relativismos é absolutizar o que é relativo...
Ao fazê-lo estaremos a relativizar o que é verdadeiramente Absoluto.

15.4.05

João Paulo

Este é o meu corpo
Entregue nas Tuas mãos
Gasto pela Tua vontade
Rasgado pelos Teus caminhos

Este é o meu corpo
Derramado nas Tuas estradas
Arrastado pela Tua promessa
Curado pela Tua palavra.

Abril de 2005

Elogio do Optimismo

Parece-me possível olhar para o optimismo de duas formas. Podemos encará-lo como uma questão de feitio. É fácil dizer que há pessoas mais optimistas e outras mais pessimistas. Brinca-se com o exemplo do copo meio cheio ou meio vazio e fica tudo explicado.
Mas é possível ir um pouco mais longe.
Independentemente do esforço que cada um faça, há uma parte do nosso feitio que nos escapa. Muitas vezes torna-se difícil explicar porque é que somos mais ou menos teimosos, mais ou menos optimistas. Penso, no entanto, que o optimismo é muito mais que uma questão de feitio à qual nos devamos resignar.
O optimismo é uma escolha que nasce da convicção profunda de que, aconteça o que acontecer, a vida faz sentido. É essa a grande certeza deixada pela Ressurreição de Cristo.
Aconteça o que acontecer, nada pode destruir o Amor com cada um de nós é amado e acompanhado.
Ser Cristão é ser optimista por opção.

Elogio da Simplicidade

Junto ao Rio, a pequena praia.
Os pés descalços. A pequena caixa de cartão serve de altar.
Palavras deslizam no ar, no meio de pequenas pausas.
Ninguém tem pressa. Tudo é serenidade.
Celebra-se a Vida com naturalidade.
Dança a Dor abraçada ao ramo de uma árvore.
O Rio derrama Paz na outra margem.
Há risos envergonhados e cúmplices nos olhares.
Os dedos levitam sobre as cordas da guitarra, libertando Medos e acendendo no ar a Alegria.

Parte-se o Pão. Mergulha-se a Alma no vinho.
Não temos nada para dar. Vivemos de Quem somos. Somos o que damos.

Ao longe…
…a Ponte.

Abril de 04

14.4.05

Começo

A ideia de criar um blog é antiga.
Gostava que fosse um exercício de um certo ditanciamento, um esforço de olhar os acontecimentos para além das marcas mais ou menos superficiais que eles nos deixam.
No fundo, trata-se apenas de ir aprendendo a saber a vida, trata-se de aprender a alegria e a esperança.
... gostava de ser capaz.