29.9.05

Sobre a Fé...

Nota: este texto resume ideias de várias leituras. É uma síntese feita para uma aula. Ofereci-o a um amigo. Ele referiu-o e então resolvi colocá-lo aqui.

Fé - Palavra hebraica = apoiar-se.
No Antigo Testamento está muito associada à ideia de Fidelidade.

Porque Sim
A Fé é um dom, não é mera capacidade Humana, a primeira iniciativa é de Deus. É Deus que me chama.
Mas é um dom que implica adesão.
Se é dom, é só para alguns? Não. É dada a todos...
Adesão pessoal a Cristo que se revela pelos outros implica um testemunho. É sempre recebida.

Capacidade de livremente aderir à pessoa de Deus, capacidade de me relacionar confiadamente com Deus, de aderir convictamente ao que Ele me propõem.
O grande apelo de Jesus é feito à Fé, é um convite a estabelecer uma relação de confiança, uma relação libertadora. A Fé é a resposta a este apelo, é um encontro de Amor entre duas pessoas.
Esse encontro deve levar-me a sair do meu “pequeno mundo” a estabelecer uma relação de compromisso e de comunhão. Deve levar-me a ser como Jesus.

O essencial da Fé é a convicção de ser amado, é experimentar que a minha vida faz sentido porque sou amado e tenho uma missão. Isto pode implicar dar sentido ao absurdo, ao que humanamente não faz sentido nenhum.

Algumas implicações:
Implica risco, medo, nem tudo é óbvio, dúvidas, inquietações, que não nos devem paralisar. Duvidar não é o mesmo que ser indiferente.

Implica mistério, mas não é ilusão ou magia. Nas nossas relações nunca nos revelamos totalmente. Na nossa relação com Deus, também não somos capazes de acolher a sua revelação de um modo completo, de um modo definitivo. A Revelação é gradual. Mesmo sendo mistério há aspectos que podem ser explicados.


Porque Não
A Fé não se confunde com acreditar em Deus. No início, toda a gente acreditava! Ninguém colocava em causa a existência de Deus. Mas, Jesus dizia: “Homens de pouca Fé”.
A dificuldade estava em ter com Deus uma relação de confiança, em ter Fé.

A Fé não é um sentimento. Por vezes, não sentimos a presença de Deus, ficamos “vazios”. Mesmo nessas alturas é possível confiar. A Fé está relacionada com a busca do sentido da vida, a partir da relação com Jesus.
É compatível com sentimentos de medo, de repulsa, de revolta, de “seca” ou mesmo com a ausência de qualquer sentimento.

Não é um refúgio, nem fuga. Não é só para os momentos difíceis. Está ligada a todos os aspectos da nossa vida.

Sendo uma relação, não é uma carga. É uma experiência de libertação.

Não se trata de um cumprimento legal de normas, os mandamentos, as normas devem ser expressão de fidelidade à relação e vividos a partir da relação.

10.9.05

Arrumar a cabeça

O meu amanhã chegou longe demais. Pelo facto, peço desculpa.

Agora que o ritmo de trabalho acelera, gostava de começar por «responder» às dúvidas expressas pelo
Hmémnon sobre a arrumação da minha cabeça ao comentar o ponto 5 da minha reflexão para as férias.
Meu caro e bom amigo: a minha fonte de inspiração está na
Nota Pastoral dos Bispos Portugueses por ocasião do Euro 2004.

Aqui ficam algumas passagens:

«O "jogo" é uma das expressões mais profundas do ser humano e tem estado presente na vida do homem em todos os tempos e culturas. A dimensão lúdica, a capacidade de rir, de se formar "brincando", revelam que o ser humano é bem mais do que "barro da terra", ocupado com a simples satisfação das suas necessidades mais básicas: sugere que o homem é liberdade criativa, que reinventa o mundo e os seus ritmos, os desfruta simbolicamente e "dança" com a realidade. O "jogo" revela o "homem espiritual", inventivo e original, que anela por uma vida plena e livre, que busca o estímulo e o desafio, que cultiva a arte e a beleza, que se realiza na alegria, no prazer e na festa, que aplica as suas forças no sentido de ultrapassar continuamente os seus limites.
(…)
O desporto facilita a integração num grupo, onde o homem pode encontrar parceiros que partilham os mesmos desafios e lutam por objectivos semelhantes. Além disso, o desporto constitui um vector de aprendizagem das regras da vida colectiva: facilita a aquisição de valores como o respeito pelos outros, a magnanimidade, a fraternidade, a solidariedade, a partilha, a generosidade, o altruísmo, a doação, o respeito pelas regras e pelas leis, o confronto leal; inculca o sentido da disciplina colectiva e da vida em grupo; ajuda a vencer o egoísmo, o fechamento em si próprio, a auto-suficiência e a evasão alienante;
(…)
A comercialização do futebol tem levado, por outro lado, a que as equipas se tornem peças na engrenagem de sociedades anónimas desportivas, que se regem por interesses comerciais, por critérios de rentabilidade económica e pelo espírito de lucro. Dessa forma, o futebol deixa de ser uma festa, uma ocupação jubilosa e salutar dos tempos de lazer, um esforço gratuito para superar os próprios limites, uma competição leal onde os outros são adversários mas não inimigos, e torna-se um negócio regido pelas leis do mercado. O futebol arrisca-se a perder, portanto, o seu papel de desporto ao serviço da construção integral do homem, e torna-se uma máquina desumana, posta ao serviço de uma cultura de egoísmo e de avidez.»


p.s. E nesta questão, meu caro amigo, ser portista (como eu), ou benfiquista (como tu) é absolutamente indiferente. Estão (estamos) todos no mesmo barco...

5.9.05

Quase de regresso...

Este blog retoma as suas emissões irregulares em breve.
Até hoje ao final do dia ou amanhã, haverá novidades.
Até já...