23.10.05

De Madrid

Algumas notas da minha estadia em Madrid:
Estou a acompanhar um grupo de alunos que representa Portugal no Model European Parlement. Durante uma semana, estudantes dos Países da União Européia (incluindo candidatos) fazem uma simulação do Parlamento Europeu.
Dos discursos de abertura sublinho o da Turquia. A delegada turca fez o mais político dos discursos. Mais do que apresentar o seu país, tentou marcar uma posição clara.
Julgo ter sido muito importante a distinção que quis fazer entre o Islao e o terrorismo.
Julgo também, que o seu discurso não pode ser desligado do facto de um dos temas que será discutido, ao longo destes dias, ser o da adesão da Turquia à UE. O seu discurso quis ser bastante persuasivo.
Modéstia à parte, julgo que a delegada que apresentou o nosso país o fez de uma forma simpática e muito bem estruturada. Foi um dos bons discursos da cerimónia de abertura.

Ainda está tudo no começo, mas estou bastante animado com os primeiros passos.
Só mais uma nota. Ao almoço, um dos funcionários que nos serviu é brasileiro e trabalha em Espanha há alguns anos. É muito curioso notar como, nestas situações, a língua comum faz cair barreiras e permite uma informalidade e uma proximidade tão grandes.

21.10.05

Não vale a pena!

É exactamente no momento em que Sadam Hussein é julgado pelos crimes violentos e tão cruelmente desumanos que, muto provavelmente, cometeu, que quero balbuciar uma certeza antiga: Não há nenhuma razão em que a Pena de Morte se justifique.
E o meu argumento não é o do erro do julgamento humano.
O meu argumento é que a Pena de Morte é um contributo para "institucionalizar" a vingança e o ressentimento. Sinceramente, não me parece que esse seja o melhor caminho para a humanidade.


Nota de ausência:
A não ser que seja possível dar Notícias durante a minha estadia (em serviço) no País vizinho, este Blog só deve voltar a funcionar no começo de Novembro.
Adios!

17.10.05

Milagre da distribuição

Acredito em milagres. O milagre mais urgente é o da justa distribuição.

16 de octubre de 2005, Roma - "El mundo cuenta hoy con los recursos la tecnología necesarios para producir alimentos suficientes no solamente para hacer frente a la creciente demanda, sino también para eliminar el hambre", aseguró hoy el Director General de la FAO, Jacques Diouf, en el curso de la celebración del Día Mundial de la Alimentación en la sede de la Organización en Roma. "Confío que la sensatez inspire a los líderes políticos que tienen en sus manos el destino del planeta y que prevalezca al fin la razón, que permite tomar decisiones mas allá de los intereses a corto plazo, portadores de injusticia y de rebelión y lleva hacia la armonía social y un mundo de solidaridad y de paz", subrayó Diouf.

Combates Justos

Erradicação da Inércia

Por estes dias, fala-se de erradicação da pobreza.
Estes dias, repetem-se desde sempre.
E hoje volta-me a surgir uma questão. Não será que estamos demasiado agarrados ao sistema em que vivemos?
Não sou contra a Economia de Mercado. Mas, parece-me que às vezes absolutisamos soluções e perdemos a capacidade de repensar as coisas a fundo. Às vezes, nas nossas práticas políticas parece que todos embarcamos na ideia que o sistema em que vivemos é mesmo o “fim da História” de que falou Fulkuyama.
Vivemos demasiadamente imersos numa “ditadura de necessidades”.
E tudo parece estar subordinado a esta “ditadura das necessidades”. O próprio combate à pobreza parece estar demasiado condicionado por esta lógica de satisfação de necessidades.
É preciso que ponhamos em causa, sem dramas ou radicalismos infantis, o sistema em que vivemos é preciso que aceitemos os seus limites. Poderemos assim procurar caminhos que valorizem todas as dimensões do ser humano. O ser Humano é muito mais do que uma sede de necessidades.
E já agora aqui ficam algumas citações que nos ajudem a pensar:


"Portugal é de longe o país da União Europeia (UE) onde os ricos são os mais ricos e os mais pobres são os mais pobres", declarou João José Fernandes, responsável do conselho directivo da Oikos - Cooperação e Desenvolvimento.

DESIGUALDADE ENTRE OS PAÍSES RICOS E OS PAÍSES POBRES:
15% da população mundial vive nos países ricos, embora sejam responsáveis por 50% das emissões de carbono no mundo e 20% da população mundial consome 80% dos recursos do nosso planeta. Nos próximos 25 anos a população mundial vai aumentar de 6 para 8 mil milhões de habitantes, mas a maioria vai nascer nos países mais pobres. Muitos países pobres gastam mais com os juros da dívida externa do que com a resolução dos seus problemas sociais.

Quando se analisa quais são os planos das instituições em termos de futuro o que se projecta é "mais do mesmo". O apoio a idosos, a toxicodependentes, às crianças e à população carenciada a que acresce, no caso da região Norte, a necessidade de criação de emprego, são algumas das necessidades que representantes das juntas de freguesia e das IPSS dizem que não estão resolvidas na comunidade onde se inserem. Algumas reflectem-se nas prioridades traçadas quando se aborda os planos de alargamento de actividade que têm para o futuro. Num país que tem assistido a um envelhecimento rápido da sua população, os projectos passam em grande medida por mais centros de dias, mais lares, mais apoio domiciliário

Mais de metade das crianças do mundo vive em situação de pobreza, de acordo com o relatório anual da UNICEF.


Bruto da Costa lembrou que a junção dos esforços entre instituições públicas, privadas, não lucrativas, de trabalho comunitário e de animação cultural poderão contribuir para devolver a auto-confiança e capacidade de iniciativa a pessoas que sofrem de pobreza de longa duração.

Erradicação não se faz apenas com subsídios

2 X Parabéns

Às duas por três tenho mesmo que dar os parabéns aos benfiquistas.
Não compreendo muito bem como é que o treinador do FCP passou tão rapidamente de visionário a ingénuo. Deve ser por não ligar muito ao futebol que estas coisas me escapam...

P.S. Prometi a um amigo que escreveria um "post" por cada golo do benfica. Por uma questão de economia de meios e porque o assunto não é assim tão importante, optei por duplicar no ttulo do post os parabéns!

13.10.05

Urgências

"É preciso viver com os pés na terra e a cabeça no céu. Isto é, ser realista sem perder o ideal. Aliás, um ideal - e não um idealismo - é uma meta concreta, possível, onde se pretende chegar. Por isso, a primeira coisa que a pessoa de ideais tem a fazer é conhecer muito bem a sua realidade. Só conhecendo e amando essa realidade, saberá fazê-la crescer e purificá-la do que não é ideal". (Padre Vasco Pinto de Magalhães, sj)

"Vale mais perdoar do que vingar-se. Acreditar nisto e vivê-lo é ter fé. Há quem pense que ter fé é acreditar noutras vidas. Mas um acto de fé, de fé vivida, é acreditar e agir convencido que mais vale amar. É fé porque anda tudo a dizer o contrário: 'Vinga-te, mostra os teus direitos, impõe-te.' É nisso que as pessoas acreditam, e o nosso mundo é o que se vê, porque não se acredita no amor."
(Padre Vasco Pinto de Magalhães, sj)

10.10.05

Importa-se de repetir?

Nunca fiz comentários sobre os factos políticos mais imediatos. Já tenho falado de Política, mas nunca fiz propriamente comentário político. Não é isso que pretendo ao escrever neste Blog.

Hoje, mesmo sem querer fazer nenhuma análise ao que se passou a nível eleitoral, não posso deixar de referir a frase que mais me chocou esta noite:

"Hoje a Política ganhou à Justiça" (João Loureiro)

Julgo que seria importante pensar um pouco no que é que isto quer dizer.

Temer o medo

A presença do medo pode ser dos factores mais paralisador, mas também mais destrutivo da nossa vida.
Paralisador, porque o medo inibe-nos os passos e os gestos.
Destrutivo, porque o medo gera desconfiança e, associado à insegurança, faz alastrar o preconceito e a vingança.
Isto acontece quando, fenómenos terroristas associados a um islamismo distorcido nos levam a desconfiar de tudo o que possa ter a ver com aquela religião. Isso acontece quando, o medo das bombas torna inquisidor o nosso olhar sempre que um árabe se aproxima.
Isto acontece quando, a insegurança urbana nos leva a expressar o nosso medo através de sentimentos de ódio, vingança e ressentimento.
Só procurando conhecer o Islamismo, será possível compreender que o terrorismo não tem religião, pelo menos uma religião sincera, e será possível desmontar-lhe os argumentos. Só procurando conhecer as culturas com que nos cruzamos na nossa cidade, poderemos compreender que a criminalidade não tem cor.
Li há muito pouco tempo uma frase que me entristeceu : “essa coisa de dar a outra face é muito bonita, mas não é para os nossos dias.” O problema dos nossos dias e de todos os outros dias, tem sido responder ao mal com o mal. Só quando formos capazes de interiorizar que a única resposta possível para o mal é o bem, poderemos romper o ciclo que leva da ofensa à vingança.

Mais uma vez, gostaria de dizer que só a confiança pode vencer a epidemia do medo, como fiz no dia 13 de Junho.

7.10.05

Nota editorial

Os comentários que tenho apagado são publicitários.
Se alguma vez for necessário fazê-lo por outras razões darei conhecimento disso.

Boa Publicidade

Hoje quero fazer publicidade a um Blog.
Trata-se do Blog que prepara a IX Jornadas de Univrsitários Católicos(JUC,s).

Aqui fica a definição que os seus autores fazem desse blog

"este espaço pretende ser um convite à redescoberta da cidadania: procurar o sentido da nossa participação na sociedade, enquadrá-la nas problemáticas de hoje, discuti-la com outros, sabendo que só assim poderemos fazer pontes que nos ajudem a percorrer o caminho da mudança. Semanalmente haverá novidades para quem quiser discutir a cidadania e notícias sobre a preparação das IX JUC’s."

P.S. Boa cidadania.

6.10.05

Fogem palavras,
Saltam-me no coração.
Procuro agarrar a mais certa,
Aquela única e intocável palavra
Diante da qual, sossego
de joelhos.

Lisboa, 5 de Outubro de 05