30.11.05

Xavier


No próximo fim-de-semana, pessoas diferentes de terras diferentes,juntam-se em Cernache para conhecer melhor o Cristo que moveu Xavier...
Lá estarei, com tantos companheiros e com tantas pessoas a renovar um desejo e uma procura...
Mais informações aqui

coisas, que até um optimista percebe...























XXI - Se Eu Pudesse

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

29.11.05

Ai, as cruzes...

Não me aflige que se tirem os crucifixos das Escolas Públicas. Parece-me normal, e como Católico bastante empenhado não me sinto nada ofendido. É pena que percamos tempo a mobilizarmo-nos para causas como esta.
Há causas bem mais interessantes.
Mas sobre isto, o Manuel já disse muito daquilo que eu gostaria de dizer.

Há outros aspectos que me preocupam. Um deles é que se tente relegar a religião para a esfera do privado.
Numa sociedade plural, a religião e as Igrejas devem ser tidos como parceiros do diálogo.
Sem alarmismos ou lamúrias, não podemos deixar de notar que há tentativas de procurar colocar em causa a dimensão pública da religião. E nesse ponto, não estou disposto a ceder. Não se trata de arrogância, trata-se de defender a Democracia. Mas sobre isso voltarei a falar de forma mais aprofundada.

Mas antes de avançar par essa discussão, gostaria apenas de partilhar uma certa inquietação: Não será bom que, como Igreja que somos, aprendamos a aprofundar, dentro da nossa Comunidade, um Espaço Público de busca partilhada da vontade de Deus? Não teremos que aprender a reconhecer mais nas inquietações uns dos outros os “sopros do Espírito”? Não é isto o discernimento?
Não será este um caminho de comunhão?


Parece-me que para saber estar num Espaço Público cada vez mais exigente, temos que "treinar" na nossa propria casa a construir esse Espaço Público.

25.11.05

Ler no Jornal, compreender no Blog, parte II

A prpósito da entrada anterior, mais algumas notas:

- a importância que alguns blogs vão tendo para nos ajudar a transformar as notícias em informação realmente compreendida. Esta pode mesmo ser uma das suas mais importantes missões. Os blogs podem assim contribuir para um saudável exercício do distaniamento que permite ver melhor a realidade.
- a necessidade dos próprios órgãos de informação darem aos seus leitores/ouvintes/espectadores, ferramentas que lhes permita fazer uma boa “gestão” da informação. Os provedores são já uma ajuda, mas é preciso que, em casos como as sondagens, haja mais rigor técnico.


Como já disse, não se trata de colocar em causa a seriedade ou a recta intenção dos jornalistas, trata-se de ter sempre presente que toda a informação condiciona opiniões e acções. Daí a responsabilidade de informar.

É por não acreditar numa “informação neutra” que penso que a exigência de rigor e seriedade deve aumentar.

Ler no Jornal, compreender no Blog

Preparava-me para desligar o meu computador. Lembrei-me de dar salto até aqui e como já tem acontecido fiquei convencido que não é possível ver uma sondagem no jornal sem depois ir "falar" com o Pedro para ele nos explicar as entrelinhas...

É claro que também possível ir até outro blog de que gosto muito e que consulto muitas vezes, e ficar com uma perspectiva um pouco diferente.

De qualquer modo depois de ter lido o Margens de Erro, ficou-me uma questão. E se eu não tivesse acesso a esse blog com que qualidade de Informação é que ficava? E quem não tem acesso aos blogs com que qualidade de informação é que fica?
Naturalmente que os "deslizes" não colocam em causa a seriedade de ninguém, mas é sempre bom lembrar que toda a informação influencia e condiciona.

22.11.05

É da praxe...

Nunca me declarei anti-praxe. Fui praxado dois anos seguidos devido a uma mudança de curso. Nunca praxei. Nunca me trajei.
Durante o julgamento do caloiro na minha segunda faculdade recusei-me a cumprir a pena que me foi ordenada. Estava demasiado sujo e irritado com tamanha estupidez e ordinarice. Saí e fui advertido que só não era excluído das “tradições académicas”, porque era caloiro estrangeiro. Confesso que não fiquei nem um pouco incomodado com esta ameaça.
Nessa mesma faculdade, estando na Direcção da Associação de Estudantes, defendi duas coisas:
1 – A Associação devia ser totalmente independente da Comissão de Praxe, para que os alunos tivessem alguém verdadeiramente isento que os pudesse ajudar em caso de necessidade.
2 – A Associação devia organizar actividades de acolhimento aos novos alunos fora do âmbito da praxe abertas a todos.
Devo dizer que, não sendo definitivamente anti-praxe, tenho reservas quanto a muito do que se passa e quanto ao modo como se estrutura a hierarquia da praxe.
Parece-me desnecessário colocar em confronto aqueles que estão a “favor” com aqueles que estão “contra” a praxe.
Mas há perguntas que devem ser feitas:

- O que significa praxar?
- O que significa ser praxado?
- O modo como se praxa é influenciado pelo modo como se foi praxado?
- Praxar é acolher ou humilhar?
- Os “caloiros” são livres?
- A estrutura da praxe é democrática?
- Há violação dos Direitos Humanos na praxe?
- Qual a relação da praxe com os ritos de iniciação?

Uma das minhas maiores perplexidades é verificar como, tantas vezes, as Reitorias e Direcções das faculdades fecham os olhos aos abusos que se passam debaixo do seus olhos. Mas fico também perplexo, como é que estudantes universitários revelam tão pouco sentido crítico relativamente ao que se passa nas primeiras semanas de Outubro, um pouco por todo o país.
Na medida em que formos capazes de questionar a fundo o modo como a praxe tem sido feita em alguns locais, na medida em que for possível rever os códigos que regem a praxe, talvez seja possível, como já acontece em alguns locais, encontrar uma forma criativa e inteligente de receber os novos alunos. Naturalmente, é muito importante acolher quem chega a um mundo por vezes tão desafiador como é o de uma faculdade, mas ninguém me convence que isso tenha que ser feito è lei do berro e da humilhação.

É possível rirmos uns com os outros e uns dos outros num ambiente de respeito e sem exercícios de um poder autoritário e vazio de qualquer sentido.
É ridículo que a estrura da praxe não preveja nenhuma orgão realmente independente a que os alunos possam recorrer em caso de se sentirem ofendidos.
E já agora, não me digam que a humilhação une os que a sofrem… eu sei que existem e que funcionam formas de acolhimento e integração que não passam por aí. E não me incomoda nada que lhes chamem praxe!

P.S. É também altura, de uma vez por todas, de questionar a relação do álcool com as recepções aos caloiros e as outras festas académicas. Será normal que num país em que temos sérios problemas com o alcoolismo continuem a realizar-se “ralis das tascas”? Naturalmente, nesses ditos ralis, ninguém é obrigado a beber e é só por um mero acaso que o objectivo desse jogo é beber o mais que cada um seja capaz, aguentando o mais possível… Que estranha ideia de liberdade

P.S. Já agora, só para provocar, seria bom que os estudantes cristãos se sentissem especialemnte interpelados a exigir uma forma digna e criativa de acolher aqueles que chegam à Faculdade. Felizmente há bastantes que já sentem esta inquietação e lutam com imaginação e ousadia por uma forma diferente de receber os novos alunos.

21.11.05

Frágil

Experimentar a fragilidade pode ser das experiências mais duras do ser humano.
Custa perceber que não somos auto-suficientes, que não nos bastamos a nós próprios. Nada disto acontece de uma forma óbvia. São pequenas ajudas que se recusam porque achamos que não devemos incomodar ninguém, são sofrimentos que se disfarçam, são tentações de querer poder resolver tudo sozinho.
O ser humano é constitutivamente um ser dependente. A ilusão da auto-suficiência é um dos nossos maiores pecados.
Aceitar-se como um “vaso de barro” que transporta dentro de si algo que é muito maior do que as suas capacidades é uma das descobertas mais espantosas que se pode fazer.
Cada vez que recordo a minha fragilidade sinto um aperto no estômago. Não é possível que Deus se tenha enganado naquilo que me pede? Depois, com o pouco ar que me resta, respiro fundo e peço-Lhe que me ensine a confiar.

Vale a pena ler...

... o que diz o Religionline, sobre o diálogo e a nova evangelização.

7.11.05

Rupturas (modificado)

Por vezes, agarramo-nos demasiadamente às coisas e às pessoas. Tornamo-nos possessivos ou deixamos que as coisas ou as pessoas nos possuam. Por tudo isso, temos que ter a coragem de fazer rupturas. Ou, se preferirem, temos que cortar os ramos que secam e que nos impedem de crescer. Isto não significa rejeitar ou cortar relações com o mundo ou com as pessoas.
Significa que saber relacionar-se com o mundo e com as pessoas de forma verdadeiramente livre é um dos maiores desafios do ser humano. Mas é também a única forma de cada um ser quem é, e de acolher o outro aceitando que ele seja quem é.