18.12.06

Esperança magoada

“Não espero nada de Deus, espero em Deus” (MC, Jardim de Luz)

Nota: Li esta frase há algum tempo no blog citado. Está a acompanhar o meu Advento. Ajudou-me a ler vidas que conheço.

Que frase! Vivida por quem experimenta no dia a dia, uma existência atribulada pela contradição dos acontecimentos, por quem constrói a sua história no meio de uma sucessão de sofrimentos que superam toda a capacidade humana, ajuda-nos a compreender o sentido mais profundo de uma palavra. Ajuda-nos a despojá-la de toda a doçura com que nos habituámos a enfeitá-la.

Aprender a Esperança é um caminho que pode ser doloroso.

Imagino três passos desse caminho:

1º Passo – O Grito
Basta, meu Deus! Não posso mais! Estou quebrado, não me peças mais nada! Já não tenho forças!...


2º Passo – Suspensão de toda a petição
Que posso pedir-Te mais...? Já pedi tudo e tudo me parece tão contrário ao que Te pedi! Já não sei que pedir! Já não tenho forças!


3º Passo: Abertura
Já não tenho forças! Agora fico aqui, calado, esgotaram-se as palavras. Não peço nada. Não digo nada. Fico aqui. Calado. De braços caídos e joelhos dobrados. Já não tenho forças!

Num caminho assim, a esperança é uma luta que nos deixa esgotados, uma luta que nos abre os braços e nos rouba as palavras.
Continuação de Bom Advento.


P.S. Agradeço a Deus todos os que, magoados pela vida, caminham na Esperança, experimentando, mesmo sem saber, que nenhuma solidão está ausente de Deus.

Contra a pasmaceira

Depois de uma semana de ausência, estou de volta.
Para já deixo uma sugestão. Passem pelo Parecian Borrachos. Dois textos do Miguel Ujeda merecem especial atenção. Um sobre a castidade, outro sobre o modo como se pode viver a vida religiosa (Como uno de tantos...)
Pelo que já vou conhecendo deste companheiro, estes dois textos tão «provocadores» são só um começo...

Nota: sem falsas modéstias, agrada-me muito o caminho que o Parecian Borrachos está a fazer...
Pouco a pouco, estamos a tentar partilhar como vivemos e sonhamos a nossa vida. Pouco a pouco, vamos também questionando essa mesma vida, assumindo fragilidades e quebrando falsas seguranças. Pelo caminho há também lugar para o humor, para partilhar o modo como o mundo vai mexendo connosco.

Actualização: NOVIDADE - 1º Contributo de um Borracho Italiano.

11.12.06

Castidade: Rasgar Fronteiras

é este o título de um texto que está no Parecian Borrachos e que tem como ponto de partida um «poema» que publiquei aqui há quase um ano.
Aproveitem e leiam outras novidades que podem ajudar neste tempo de advento.

7.12.06

Entendimentos 3


Lavo nas ondas
O meu olhar.

Deixo, na barca apagada,
As minhas cinzas.

Fico, descalço e em pé,
Esperando contigo
A tua vinda.


Texto de Zé Maria Brito, sj a partir de Imagem de Shaun, escolhida por Pica (Artista e ), da série Entendimentos.

4.12.06

Viver de Susto!?

Quem já teve a oportunidade de estar diante de uma turma ou de um grupo, tentando dar uma aula ou transmitindo uma mensagem, sentiu provavelmente na pele como o medo afecta a transmissão da mensagem.

Poucas coisas são tão facilmente perceptiveis para um auditório como o medo.
O medo pode significar que não se acredita naquilo que se está a transmitir, que não há uma realação de confiança com aqueles a quem se transmite a mensagem ou que estamos presos das nossas inseguranças.

Penso no modo como, em Igreja, nos colocamos diante do mundo. Não será que estamos a deixar que o medo desfigure o nosso olhar sobre o mundo?

Acreditamos profundamente no que queremos transmitir?

Procuramos estabelecer relações de confiança com as pessoas com quem nos cruzamos?
Descobrimos nos valores de hoje os apelos de Deus?

Andamos presos nas nossas inseguranças e desilusões? Des-esperançados porque o mundo não é o que pensamos que deveria ser?

O medo coloca-nos assutados diante do mundo. E um mundo que já tem doses suficientes de medo, tensão e angústia não se vai aproximar de nós se encontrar no nosso rosto e no nosso olhar uma Igreja assustada. Assim como assim, mais vale morrer de susto que viver assustado.

Bom Advento!


Nota: Entretanto vale a pena ler este texto. "Atravessar o mar dos medos com as velas da esperança"

3.12.06

Façam o favor de acordar...

... e de ler o texto de um Borracho português que, finalmente, se estreou, escrevendo sobre um filme cheio de silêncio.
Aproveito para informar que se continuam a desenvolver esforços para que Borrachos que escrevem noutros idiomas que não o português e o castelhano o façam o mais depress possível.
Quando isso acontecer farei aqui um alerta!

2.12.06

Ser Pó

Se alguém quiser acompanhar um blog desde os primeiros passos, aconselho a vista a nova casa do Pica.
Chama-se Sintonia e tem como lema:

"Ser pó não é ser fraco, é ser humilde."

é claro que estará nos Links. Fica nos amigos, mas desconfio que também podia ficar nos TeoBlogs.

Nota muito pessoal: O Pica vive este lema como desejo, mas nós já o podemos ver reflectido nos seus gestos como uma atitude bastante presente na sua vida.