23.3.08

Aleluiia!!

A Brito - Luz Escaldante
"A Luz que nos é concedida é tão forte que mesmo se quiséssemos, não poderíamos apagá-la completamente." (Christian Bobin)

Ao longo da semana santa não me foi mesmo possível escrever. Ficam agora o votos de Boa Páscoa e promessa de volta mais para o fim da semana...

16.3.08

Boa Semana Santa...


Ser escolhido por alguém é uma experiência profunda.

Quando alguém nos manifesta, nas pequenas e grandes coisas, que somos importantes, sentimo-nos agradecidos. Às vezes nem chegamos a compreender o porquê deste ou daquele gesto. Parece-nos excessivo receber tanto, quando temos a sensação de ter dado tão pouco…
Esta semana acompanhamos os passados de Jesus que escolheu dar a vida por cada um de nós.
À medida que acompanhamos esses passos podemos, repetir interiomente: dás a vida por mim!
A eleição de Jesus que podemos contemplar ao longo desta semana, é uma escolha que nos afecta pessoalmente. É uma escolha de um amor levado às últimas consequências.
nota: volto quarta-feira e peço desculpa pela ausência dos últimos dias...

9.3.08

Rezar o mundo (com a ajuda dos media)


Acordamos. Pouco depois de calarmos o despertador, as notícias vão-nos entrando despedaçadas pelos ouvidos dentro, no meio da nossa luta contra o sono. Fica-nos na memória o resto de uma reportagem sobre o caso Madie. No metro, no autocarro ou ao chegar à faculdade alguém nos dá um gratuito. Os olhos correm pelas poucas páginas daquele jornal. A morte de frio de um sem abrigo provoca um breve momento de incomodo. Guardamos o jornal na mochila para aproveitar o sodoku para uma aula teórica. Depois das aulas, vamos à sala de informática. Vemos os mails. Abrimos o messenger. Ao nosso lado, um professor lê o Público. Continuam a aumentar as vítimas do terrorismo. Na nossa cabeça ressoa uma pergunta: como se pode lutar assim? À noite, enquanto cumprimentamos a nossa mãe ao chegar a casa, ouvimos o Rodrigo Guedes de Carvalho, na Sic, falar de uma descoberta qualquer que pode ajudar os doentes de SIDA. À noite, ao voltar do cinema o olhar de um personagem fica gravado na memória.
Muitas vezes é assim que o mundo nos entra pelos sentidos. Mais ou menos aos pedaços. Como peças de um puzzle que temos dificuldade de encaixar.

Este espaço – Rezar o Mundo, com a ajuda dos media - é uma pequena ajuda do Optimista para que seja mais fácil encaixar as peças umas nas outras. Uma vez por mês será proposto um pequeno exercício de oração ou reflexão que posssa ajudar a ler, ouvir e ver as notícias, recordar um filme ou navegar na net de um modo mais profundo. Trata-se de apurar os sentidos para descobrir os gritos, as lágrimas, os risos e os silêncios com que Deus nos interpela em todos esses mundos. Para não deixar que o mundo nos passe ao lado. Para que não passemos ao lado do mundo.

Exercício 1

Depois de teres feito o sodoku, não deites fora o gratuito que te costumam dar pela manhã.
1.Escolhe a notícia que mais te chamou a atenção ( porque te incomodou, te fez rir, porque te pareceu mesmo estranha...).
2. Recorta a notícia.
3. Quando chegares a casa, na tua secretária lê a notícia com calma.
4. Fecha os olhos e pergunta-te:
- O que te fica dessa notícia? O que é mais te chama a atenção? Porque achas que te incomodou, fez rir ou surpreendeu a notícia?
- Como terão reagido ao que aconteceu as pessoas envolvidas? Se pudesses que lhes dirias?
- Das palavras de Jesus que conheces, qual pensas que se adapta melhor a esta situação?
5. Cola a notícia num sitio onde a possas ver e escreve com um marcador, em cima da notícia, a palavra de Jesus que escolheste.

Ao avaliar este pequeno exercício tenta perceber o que é que Deus te disse. Se quiseres podes partilhá-lo na caixa de comentários.

nota: Este exercício fui escrito para o número 0 do essejota.net e pode ser encontrado no arquivo da secção «O mundo à nossa volta».

8.3.08

Mulher na Igreja

"Hablamos hoy de las mujeres. Su presencia en la Iglesia es asignatura pendiente. No se trata de hacer leyes de paridad como en la vida política, que manipula a la mujer al servicio de la estadística. Son asignaturas más troncales y se aprueban contemplando el Evangelio y la historia de la salvación, en donde la mujer tiene un claro protagonismo con hondas raíces bíblicas y teológicas, de las que debiéramos tomar buena nota. Pervive la cosificación y el servilismo en muchos grupos eclesiales, y bien viene recordar la amonestación de la religiosa mexicana Sor Juana Inés de la Cruz: “Queredlas cual las hacéis o hacedlas cual las queréis”. ¿ Cómo estamos haciéndolas ? Cuando hablamos de las mujeres vemos a Teresa de Jesús, Catalina de Siena y otras grandes en la historia. Valor no les faltó para embelesar a clérigos y comendadores con su sabiduría y consejos, su temple y bien hacer. Supieron estar en su sitio y con dignidad. Juan Pablo II ha honrado a la mujer con una encíclica y Benedicto XVI habla de ellas con frecuencia. Pese al magisterio abundante, queda mucho por recorrer en justicia más que en paridad. Pocas mujeres en los cien primeros puestos del gobierno vaticano . Abundan en hospitales y orfelinatos; en las misiones y asilos; en los templos y sacristías, siempre junto a la pobreza y en la sencillez callada de los hogares. Son muchas en las aulas y pocas en la tarea teológica. La Iglesia, abanderada de la fraternidad, debe ponerlas como valor en sí más que como paridad de moda. En una cultura hostil para con la mujer, el Evangelio fue revolucionario. Veinte siglos después hay que abrirles las puertas a la plena, y no parcial, comunión eclesial." (Juan Rubio-Director de Vida Nueva) Publicado en el Vida Nueva (Del 8 al 14 de marzo de 2008).


Ao sugerir a leitura deste texto quero apenas recordar que num mundo em que a mulher contínua a sofrer - as injustiças do mundo como a fome, o analfabetismo, a violência, o desemprego contínuam a ser sentidas de um modo mais acentuado pela mulher de que pelo homem - podemos, como Igreja, procurar modos concretos de chamar a atenção para esta injustiça. Esta chamada de atenção implica, naturalmente, ser capaz de dar o exemplo... O que está em causa não é se somos progressistas ou conservadores, o que está em causa é o modo como nos deixamos inspirar pelo evangelho e pelos gritos que o mundo nos lança.

Nota: o Regador completou ontem dois anos... Parabéns amigos!!


5.3.08

Já nasceu...

o essejota.net!

Inquietação, por um lado, diante deste mundo e deste tempo em simultâneo tão fascinantes e tão cheios de contrastes, onde se pode encontrar o melhor e o pior quase lado a lado. No meio das correrias e das mil e uma coisas que sempre nos ocupam, acaba por ser bem real o perigo de não haver tempo para parar e olhar, com “olhos de ver”, para essa realidade que nos toca viver, para a profundidade além da superfície. Esse é por isso um dos desafios que esta página quer colocar, o de deixarmo-nos tocar e questionar pela beleza e pelas “sombras” do mundo à nossa volta.

(...)

Fruto de vários meses de diálogo e de encontros, de muitos e-mails e conversas no chat, de muito trabalho gráfico e de recomposição dos textos, chegámos às secções e aos conteúdos que agora aqui [ali] encontras. (do editorial, Filipe Martins, sj)

Boa visita!


Pertença Profunda

Fala-se de Ética de mínimos. Com esta expressão pretende-se chamar a atenção para a necessidade de, numa sociedade plural, se chegar a consensos éticos que, para lá das diferentes formas de olhar a realidade, contribuam para proteger valores que se considerem fundamentais. A importância de tais valores está associada à sua capacidade de garantir a coesão e a solidariedade humanas evitando a fragmentação.

Penso que o dinamismo para que esta ideia aponta pode ser muito fértil. Mas penso também, que só é possível chegar a uma Ética de mínimos minimamente consistente se cada um estiver serenamente seguro de quais são os seus máximos.

E digo serenamente seguro, na medida em que essa segurança não pode estar baseada numa pertença frágil, dispersa e superficial a uma tradição de valores. Uma pertença frágil, dispersa e superficial origina intolerância e fundamentalismo. Origina uma pseudo-segurança revestida de ansiedade e intransigência. Outra manifestação possível desta pertença frágil pode ser a dispersão numa multiplicidade de pertenças que pode acabar por se manifestar interiormente desagregadora.

Por outro lado quero acreditar que uma pertença profunda e enraizada conduz a uma assimilação livre, autêntica e crítica dos valores de cada tradição.
Neste sentido, penso que um dos grandes desafios da educação e das religiões é contribuir para esta pertença profunda. A nível da educação isso é fundamental para que os alunos possam, no meio de uma multiplicidade de informações, propostas e ruídos fazer as suas escolhas e «aprender» o sentido. A nível das religiões só uma pertença profunda poderá sustentar um verdadeiro diálogo inter-religioso que contribua para superar muitos dos conflitos do nosso mundo.

3.3.08

Estatuto editorial

Não quero escrever os meus versos sobre um espelho,
Desejo que as palavras que recebo
Fiquem gravadas no vidro transparente de uma janela aberta...

2.3.08

Ser reconhecido

Ser reconhecido, acolhido no que se é, acompanhado no que se sonha ser, é um desejo profundo de cada ser humano. Todos necessitamos de ser reconhecidos. Todos desejamos ser amados. Se olharmos para a nossa vida facilmente reconhecemos como por de trás de tantos gestos, de tantas relações bem vividas ou de chamadas de atenção imaturas, se esconde este desejo que nos abre ao mundo. Se olharmos à nossa volta, se lermos os jornais ou estivermos atentos aos telejornais, talvez possamos descobrir, para lá de gritos mais ou menos estéreis, este desejo de ser reconhecido. No fundo, o desejo de poder e protagonismo são manifestações superficiais, às vezes atormentadas do desejo de ser reconhecido. O problema aqui é que o desejo que podia conduzir a uma atitude de abertura, conduz, se não estamos atentos, à manipulação e à objectivação do outro.
O evangelho de hoje fala de um cego de nascença. Fala de um homem que deseja ser reconhecido por Jesus desde que nasceu. Jesus encontra-o, reconhece-o a ele e ao seu desejo, cura-o. Desde sempre somos reconhecidos e amados por Deus. Experimentar por dentro este reconhecimento, deixar-se encontrar por Deus, cura as nossas tentativas de manipulação, faz do nosso desejo abertura.
Mais do que tentando convencer o mundo das nossas ideias sobre Deus, é comunicando esta experiência de ser um desejador curado que podemos curar as feridas do mundo.